A crise climática e o ensino da física – onde estão as conexões

Autores

DOI:

10.59727/fne.v23iEspecial.259

Palavras-chave:

Mudanças Climáticas, moldura filosófica, ciência da complexidade, ensino de física

Resumo

A configuração climática global contemporânea, marcada por desafios críticos como perda de biodiversidade, aquecimento global, poluição, desigualdade social e crises de saúde, é, segundo o IPCC, resultado direto de atividades antrópicas insustentáveis, tornando urgente uma reavaliação das perspectivas científicas tradicionais. A visão cartesiana, fundamentada no racionalismo, no determinismo e na compartimentalização, embora historicamente relevante, mostra-se insuficiente para compreender a complexidade dos problemas atuais. Nesse contexto, o pensamento sistêmico, subjacente à ciência da complexidade, apresenta-se como uma moldura filosófica mais adequada para interpretar e enfrentar as crises ambientais e sociais deste século. Embora os temas em questão possuam um forte viés interdisciplinar, as especialidades continuam sendo fundamentais. O papel da física no entendimento do clima é destacado, com ênfase em conceitos fundamentais como radiação, termodinâmica e fluidodinâmica atmosférica. Este artigo propõe uma reestruturação do ensino de física com uma abordagem fenomenológica e interdisciplinar, a fim de preparar futuros cidadãos capazes de compreender e atuar frente às alterações climáticas globais, desenvolvendo uma visão crítica e criativa para enfrentar os desafios ambientais do século XXI.

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Biografia do Autor

Iramaia Jorge Cabral de Paulo, Universidade Federal de Mato Grosso, MT, Brasil.

Licenciada em Ciências Naturais com habilitação em Física (UFMT-1985) e em Física (UFMT-1994). Possui Mestrado em Educação com ênfase em Ensino de Física (UFMT-1997) e Doutorado em Ensino de Ciências com ênfase em Ensino de Física Contemporânea (2006), pela Universidad de Burgos (Espanha). Realizou estágio pós-doutoral em Modelagem de Sistemas Complexos pela Université Libre de Bruxelles (Bélgica, 2013), participando do grupo de pesquisa fundado pelo Professor Ilya Prigogine. É Professora Associada do Instituto de Física da UFMT, onde exerceu o cargo de diretora de 2017 a 2020. Foi fundadora e coordenadora do Programa de Pós Graduação em Ensino de Ciências Naturais (UFMT, 2010-2013). É editora da revista Experiências em Ensino de Ciências (EENCI), desde 2011. Suas áreas de interesse são Teoria da Complexidade Aplicada a Física Ambiental e Pesquisa em Ensino de Física. Dedica-se também a teorias de aprendizagem, especialmente a Teoria da Aprendizagem Significativa e a Teoria da Aprendizagem Significativa Crítica. Credenciada no Programa de Pós-Graduação Física Ambiental (mestrado e doutorado) e Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF). Coordena o Grupo de Pesquisa em Sistemas Ambientais Complexos atuando nas linhas de pesquisa: Análise e Modelagem de Processos Ambientais Complexos e Análise e Modelagem de Processos Ecofisiológicos. Participou desde 2014 da Comissão de Pós-Graduação (CPG) do Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF/PROFIS) onde foi coordenadora da CPG Nacional por seis anos. É coordenadora institucional do Programa de Iniciação a Docência (PIBID) da UFMT, desde 2023.

Referências

IPCC, in: Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, Geneva, 2023), pp. 1-34, https://doi.org/10.59327/IPCC/AR6-9789291691647.001

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Publicado

22-07-2025

Como Citar

PAULO, Iramaia Jorge Cabral de. A crise climática e o ensino da física – onde estão as conexões. A Física na Escola, [S. l.], v. 23, n. Especial, p. e240259, 2025. DOI: 10.59727/fne.v23iEspecial.259. Disponível em: https://fisicanaescola.org.br/index.php/revista/article/view/259. Acesso em: 23 out. 2026.

Edição

Seção

Desafios contemporâneos para o ensino de física